domingo, 22 de junho de 2014

POR QUE NOS TRATAMOS POR DR. OU ENGº '

Uma das características mais visíveis da cultura portuguesa - e certamente da cultura de gestão portuguesa - é a propensão para o uso de títulos académicos. O uso de títulos (Dr., Eng.º.) é certamente mais praticado em algumas organizações do que noutras, mas, na comparação com outros países da União Europeia (UE), os portugueses são pródigos no uso de títulos. É aliás frequente, nas situações em que se conhece menos bem o interlocutor, colocar um cauteloso Dr. antes do nome. Na dúvida, antes a mais que a menos.
Esta propensão nacional para a utilização dos títulos pode naturalmente ter diversas explicações, mas uma das mais plausíveis pode ser encontrada no monumental trabalho de campo desenvolvido por um sociólogo holandês, Geert Hofstede. O seu livro Culture's Consequences, originalmente publicado em 1980, é uma obra de referência dos estudos de gestão transculturais. Neste trabalho, Hofstede tomou a cultura como variável independente ("causadora" de outras variáveis) e procurou analisar as suas implicações para o funcionamento da sociedade e das organizações. O trabalho deste ex-director da IBM sugeriu que as diversas culturas nacionais podem ser caracterizadas de acordo com um conjunto de quatro dimensões individualismo/colectivismo, evitamento da incerteza, masculinidade/feminilidade e distância hierárquica. Destas dimensões, a última, distância hierárquica, é particularmente relevante para a resposta à questão que aqui se discute.
A distância hierárquica reflecte o grau de deferência que os indivíduos projectam sobre os seus superiores hierárquicos, assim como a necessidade de manter e respeitar um certo afastamento (social) entre um líder e os seus subordinados. Nos países e regiões de elevada distância (e. g., Portugal, Espanha, América Latina, Ásia e África), superiores e subordinados consideram-se desiguais por natureza. A distância emocional entre chefias e subordinados é elevada. Detecta-se uma grande reverência pelas figuras de autoridade, e atribui-se grande importância aos títulos e ao status. Ao contrário, em países com baixa distância hierárquica (e. g., EUA, Grã-Bretanha e países não latinos da Europa), a dependência dos subordinados relativamente aos chefes é limitada. Os primeiros não sentem desconforto considerável por contradizer os segundos. Uns e outros consideram-se iguais por natureza.
Nos países com distância hierárquica tendencialmente mais elevada, o uso de símbolos de status representa portanto uma forma de explicitar e de assinalar o reconhecimento das distâncias entre pessoas pertencentes a diferentes escalões sociais ou organizacionais. A distância tende a aumentar a dificuldade de comunicação franca entre líder e equipa. Por exemplo, observava recentemente um gestor do Norte da Europa expatriado em Portugal que, quando perguntava aos elementos da sua equipa se estavam de acordo com ele, a resposta era sempre afirmativa. Surpreendido com tão consistente e persistente acordo retomou a discussão perguntando se estavam mesmo de acordo ou se estavam a procurar ser obedientes. A resposta é fácil de adivinhar. 

quinta-feira, 12 de junho de 2014

O GOVERNO FRANCÊS CORTEJA O "SANTOS" DE ANGOLA...

 Angolagate? É passado – “C´est passé”! A visita de José Eduardo dos Santos a França marca o início do relançamento das relações com Paris. E os franceses parecem ter levado a melhor sobre os britânicos, que também vigorosamente vinham "cortejando" o presidente angolano.
Alex Vines, diretor do departamento África “think tank” britânico Chatham House, afirma que os dois dias de visita de Santos a França, onde se avistará com o presidente Hollande e falará no Senado, representam uma “melhoria significativa” nas relações franco-angolanas. São também sinal de que Angola pretende “reinvestir na sua relação com parceiros ocidentais”.
O timing da visita “não é coincidência”, diz Vines. “Nos últimos 18 meses, a presidência angolana tornou-se mais ambiciosa internacionalmente, possivelmente assinalando que Santos procura estabelecer um legado dos seus 34 anos no poder”. Em comum, Paris e Luanda têm o interesse na África Central, em particular na região dos Grandes Lagos.
“A importância que Paris deu a uma melhoria das relações franco-angolanas não diz apenas respeito ao crescimento do comércio bilateral, mas também ao reconhecimento de que, no que concerne à África Central, Angola é cada vez mais um Estado-âncora para a paz e segurança regional”, adianta.
Sombra do "Angolagate"
Passaram-se vinte anos desde a última visita de Santos, quando Angola estava em guerra civil e o comércio dos dois países era de petróleo angolano para França e armamento no sentido inverso. Armamento que acabou por deitar por terra as relações diplomáticas.
Dos Santos chega a Paris acompanhado pelo Ministro de Estado e Chefe da Casa Civil, Edeltrudes Costa, e Ministros da Relações Exteriores, das Finanças, dos Petróleos, George Chicoty, Armando Manuel, Botelho de Vasconcelos, além da ministra do comércio, Rosa Pacavira.
Os media oficiais angolanos estão a dar grande cobertura à visita. A Rádio Nacional de Angola fala de “uma nova era de cooperação económica e concertação política entre a França e Angola”, em que “Paris vê com bons olhos os esforços de Luanda, na pacificação da região dos grandes lagos, particularmente, na Republica Centro Africana, e na república democrática do Congo, duas importantes zonas de influência francesa que vivem situações de instabilidade”.
Historicamente, dos Santos manteve uma ligação próxima com França, onde passava férias de verão. E os homens de negócios franceses, destacadamente os do petróleo, sempre tiveram portas franqueadas em Luanda.
Mas a investigação judicial francesa ao comércio de armas, entre 1993-2000, veio “envenenar” o clima. Dos perto de 800 milhões de dólares que circularam, mais de 50 milhões terão sido desencaminhados por via de subornos. Com grande embaraço para Angola, a Justiça francesa acusou Pierre Falcone e Arcady Gaydamak, dois comerciantes de armas detentores de passaportes angolanos, com ligações próximas à presidência, a quem alegadamente vendiam armas. Entre os 42 acusados estavam ainda Jean-Cristophe Miterrand, filho do ex-presidente francês.
A sentença é conhecida no final de 2009: os destacados políticos franceses Charles Pasqua e Jean-Charles Marchiani são condenados por ter aceite subornos de Gaydamak e Falcone, embora já em abril de 2011 tenham ganho o recurso. Os dois comerciantes de armas, alegados corruptores, saíram em liberdade.
Durante todo este período, os negócios das empresas francesas em Angola foram prejudicados. Mas seguiu-se um trabalho incansável da parte dos franceses, que culminou com um encontro entre Santos e o ex-presidente Nicolas Sarkozy em 2007. Sem perder tempo, Sarkozy foi a Angola no ano seguinte, onde deixou um convite a dos Santos para ir a Paris. Depois de sucessivos adiamentos, e de uma visita do chefe da diplomacia francesa a Luanda em novembro, com uma delegação comercial de peso, Santos regressa a França.
Londres e Washington “de olho”
Em aberto está também uma vista ao Reino Unido, a primeira em 22 anos. No final do ano passado, o governo britânico incluiu Angola no grupo de países “parceiros para a prosperidade”, aqueles com que pretende estreitar laços económicos. Alex Vines, da Chatham House, acredita mesmo que a diplomacia britânica pode tirar lições dos colegas franceses.
“Os serviços britânicos foram lentos a responder ao interesse súbito de Angola numa visa presidencial ao Reino Unido”, afirma Vines em artigo para a Chatham House. O investigador sugere que Londres envie a Luanda o secretário para as Relações Exteriores, William Hague. Ali deverá escalar em breve o seu homólogo norte-americano, John Kerry.


80% DOS FALADORES PORTUGUESES ESTÃO NO BRASIL...


Os oito países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) têm cerca de 244 milhões de habitantes, sendo no Brasil que vivem mais jovens e, em Portugal, a maior percentagem de idosos, segundo as “Estatísticas da CPLP” de 2003 a 2010, agora divulgadas. Em cada dez residentes no espaço lusófono, oito habitam no Brasil. É em Angola que se encontra o número mais baixo de habitantes por quilómetro quadrado e onde as mulheres têm, em média, mais filhos.

Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Exceptuando Cabo Verde, os países africanos de língua portuguesa e Timor-Leste registavam uma percentagem de população jovem superior a 40% da população total.

No Brasil, o peso relativo dos jovens situava-se em 24,1% e em Portugal apenas nos 15,1%.

A maior percentagem de população “potencialmente activa” (15-64 anos) está no Brasil (68,5%) e a menor em Angola (50,1%).

A esperança de vida à nascença aumentou em todos países da CPLP, durante o período 2003-2010. Os maiores progressos ocorreram em Timor-Leste (crescimento de 5,4 anos, entre 2004 e 2010), seguido de Moçambique (4,6 anos, de
2003 a 2010).

A esperança de vida à nascença é superior nas mulheres, nos oito países.

É em Angola que as mulheres têm mais filhos (6,2 filhos por mulher), 4,5 vezes mais do que em Portugal, que apresenta o valor mais baixo da CPLP (1,37).

Para além de Angola, mais três países registaram valores acima de cinco filhos por mulher: Timor-Leste (5,8), Moçambique (5,6) e Guiné-Bissau (5,3).

Embora se registe nos oito países uma tendência para a diminuição do número de filhos por mulher, em Portugal e no Brasil o número de nascimentos não permite manter o mesmo número de habitantes.

A superfície total
 da Comunidade é, aproximadamente, de 10,7 milhões de quilómetros-quadrados.

O desequilíbrio, quanto à extensão dos países membros, é notório: o Brasil apresenta a maior superfície territorial,

cerca de 79,51%, enquanto São Tomé e Príncipe representa apenas 0,01%, sendo o membro da Comunidade  com menor superfície.

É também no Brasil que vive a maior população estimada, 190,7 milhões de habitantes (78,0%); consequentemente, em cada dez residentes no espaço territorial da CPLP, aproximadamente oito residem no Brasil.

A densidade populacional
 
mais elevada, em 2010, registava-se em São Tomé e Príncipe, com 163,6 habitantes por quilómetro quadrado, seguindo-se Cabo Verde (122,5) e Portugal (115,4).

Com menos de cem habitantes por quilómetro quadrado, surgem Timor-Leste (71,3), Guiné-Bissau (41,9), Moçambique (28,0), Brasil (22,4) e, por último, Angola (14,0).

Em 2010, no espaço comunitário lusófono, a proporção da população entre os 15 e os 64 anos (idade activa) era maior no Brasil, com 68,5%. No segundo lugar situava-se Portugal com 66,7% e era em Angola que se encontrava, a menor população em idade activa (50,1% em 2010)

Portugal é o país mais envelhecido da CPLP, isto é, com a maior percentagem de habitantes com mais de 65 anos (18,2%).

No polo oposto, encontra-se Angola, com a menor proporção de população idosa (2,5% em 2010).

No mesmo ano, a esperança de vida à nascença nos oito países da CPLP apresentou os valores mais baixos na Guiné-Bissau (46,8 anos) e em Angola (48,4 anos). Seguiu-se Moçambique (52,1 anos), Timor-Leste (64,2 anos), São Tomé e Príncipe (67,6 anos), Brasil (73,4 anos), Cabo Verde (74,5 anos) e Portugal, que se encontrava no topo, com 79,2 anos de esperança de vida à nascença, no conjunto de ambos os sexos.

Em toda a Comunidade, as mulheres têm uma esperança de vida superior à dos homens.

A esperança de vida à nascença aumentou em todos países da CPLP no período 2003-2010. Os maiores progressos ocorreram em Timor-Leste, onde este indicador demográfico teve um crescimento médio anual de 1,5%, seguido de Moçambique, com uma subida de 1,3%.

sábado, 7 de junho de 2014

EM MOÇAMBIQUE USAM-SE AS ARMAS PARA FAZER POLÍTICA...

Em Moçambique volta-se a fazer política com armas



O clima de guerra voltou a Moçambique pois, afirma o destacado analista Fernando Lima, a Frelimo descurou o diálogo social e, pela exclusão, criou desalinhados. Hoje voltou a fazer-se política com armas, lamenta.

Numa entrevista ao semanário Dossier & Factos, em Maputo, o proprietário dos jornais Savana, Mediafax e Rádio Savana afirma que, no que diz respeito a relações do poder com a oposição, recentemente “esticou-se muito a corda”, e até se gerou a “percepção de que a utilização de armas traz dividendos políticos”.

“Isso nunca deveria ter acontecido, mas aconteceu e está na mente de todos que através das armas podemos chegar a obter determinados benefícios e conquistas que por outras vias não conseguimos”, afirmou. 

Os confrontos em torno das divergências entre a Renamo e a Frelimo (no poder) têm vindo a agravar-se à medida que as facções vão adiando o diálogo. A estabilidade no país está assim em causa quando o país já se prepara para as eleições presidenciais a 15 de Outubro.

Lima qualifica as atuais tensões de “guerra”, e diz que a causa não é apenas a falta de diálogo com a Renamo, mas sim “entre os moçambicanos”. Ao nível da Frelimo, achou-se que quem ganha eleições “tem direito de fazer tudo”, o que levou a um “nível de exclusão muito grande” e “uma grande pressão, que se assemelha a uma tortura psicológica”, para que as pessoas adiram à Frelimo.

A base da tensão “é o massivo movimento de exclusão social no país”, afirma Fernando Lima.

Em jeito de balanço ao mandato de Armando Guebuza, o analista valoriza o trabalho ao nível económico, mas ressalva que “os medíocres e incompetentes se sentem muito confortáveis à volta” do presidente.

MPLA E A SUA BRUTALIDADE...

Lara Pawson: MPLA pode não ser hoje capaz de brutalidade como a de 1977, mas ainda não tolera críticas



Autora da maior investigação recente ao massacre de 27 de Maio de 1977 em Angola, a revolta de Nito Alves, a jornalista Lara Pawson não acredita numa repetição da brutalidade à escala de então. Mas, afirma, o trauma persiste na sociedade angolana, e, pela forma como reage com violência a protestos, o MPLA mostra que ainda não é capaz de aceitar a crítica.

Ex-correspondente da BBC em Angola, Pawson estará esta semana em Lisboa para apresentar o seu livro “Em Nome do Povo. O Massacre que Angola Silenciou”. Em entrevista ao Africa Monitor, compara o “trauma, vergonha, silêncio” em torno da brutalidade de 1977 intra-MPLA, que terá feito milhares, se não mesmo dezenas de milhar de vítimas, à guerra civil espanhola, à ocupação britânica na Irlanda do Norte e mesmo ao Holocausto.

O silêncio, afirma, resulta de ter envolvido militantes do MPLA contra outros “camaradas”, de forma violenta e cruel, na sequência de uma manifestação. Mas também de o partido ter sido, e continuar a ser, “autoritário e com pânico de qualquer crítica”, apesar de ter a “auto-crítica” inscrita na sua ideologia oficial. 

“Hoje, o MPLA não consegue ligar com 20 ou 30 jovens a protestar pacificamente na praça da independência. Se as autoridades e a polícia não fossem tão violentas, poderia ser engraçado. Mas não é de todo engraçado. É brutal. Esta violência destrói a vida das pessoas, pessoas que têm o direito de expresser as suas crenças e oposição ao regime. Por que razão o MPLA tem tando medo de críticas é outra questão. Acho que é absurdo. Penso que é infantil. Em última instância, não se pode subjugar as pessoas para sempre”, afirma.

Pawson não põe totalmente de parte que violência como a de 1977 possa ter lugar na Angola de hoje – “é claro que a história se repete”, afirma – mas realça as diferenças entre os protestos de rua de hoje e os de então. Há quase 40 anos, estava envolvido o Exército – 9ª brigada – e à cabeça da oposição estava um ministro da Administração Interna, Nito Alves. 

Angola é imprevisível, sublinha, mas “com a atual distribuição de poder, é improvável” a repetição da brutalidade. 

O principal equívoco em relação aos acontecimentos de 1977 em Luanda é que se tratou de algo óbvio, como um golpe ou uma instrumentalização de sectores do MPLA pela URSS, defende Pawson. 

Pelo contrário, foi complexo, e com raízes longínquas no tempo colonial, e recentes, no facto de “a maioria dos angolanos não estarem a beneficiar suficientemente da independência”, no “corte geracional entre Nito Alves e Agostinho Neto” e respetivos núcleos de apoio - enquanto os primeiros maioritariamente arriscaram a vida combatendo as forças coloniais no país, os segundos estavam no estrangeiro, como diplomatas e intelectuais. Mas também a incapacidade de gerir questões rácicas ao nível do MPLA, ambições ideológicas, diferentes conceções de justiça social, além do puro e simples choque de “egos masculinos”. 

“O que descobri é que toda a gente tem uma memória diferente do que se passou. E essas memórias merecem ser respeitadas – todas elas”, afirma. Pawson considera que a ainda há muita investigação a fazer sobre o 27 de maio de 1977, e espera que seja os angolanos a fazê-lo. “Ainda não sabemos onde estão os restos mortais das vítimas. Muitas famílias nunca enterraram os seus parentes, o que acho que é um grande fardo, emocional e psicológico”.

A autora afirma que não foi difícil que os envolvidos – vítimas, testemunhas e até alguns dos autores da violência – falassem. Muitos deles queriam mesmo desabafar, aliviados por encontrar alguém interessado em contar as suas históricas. Para a maioria das pessoas, traz memórias “muito difíceis”. Pawson defende que era uma “tremenda injustiça” que estas histórias não fossem contadas”, mas também a motivou um “sentimento de vergonha em torno da esquerda britânica”.

“O facto de os esquerdistas marxistas e socialistas que sempre admirei terem ajudado a encobrir a verdade (…) deixou-me muito zangada e quis, como uma esquerdista britânica, lidar com o que acredito terem sido os erros dos meus antecessores”, disse ao Africa Monitor.

Entre os testemunhos reunidos no livro estão os de João Van Dúnem, irmão de José, um dos líderes da revolta, bem como actuais membros da elite angolana - por exemplo, Ndunduma Wé Lépi, ex-director do Jornal de Angola, ou Aníbal João da Silva Melo, deputado à Assembleia Nacional pelo MPLA. Lara Pawson apresentará o seu livro no próximo dia 6 no Instituto de História Contemporânea (IHC), em Lisboa.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

MOÇAMBIQUE - DEPUTADOS PRECISAM DE CAPACITAÇÃO PERMANENTE...


O PRESIDENTE da Comissão do Plano e Orçamento (CPO) na Assembleia da República, Eneas Comiche, disse que os desafios que os parlamentos da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP) enfrentam são cada vez maiores, exigindo dos deputados uma capacitação adequada e permanente.
“Na Assembleia da República de Moçambique sentimos a premência de capacitação para fazermos face aos desafios que o país enfrenta, acrescidos pela existência de recursos naturais que desde a sua planificação até à gestão trazem desafios ao Parlamento, exigindo maior capacidade aos seus deputados”, sublinhou Comiche.
Falando terça-feira na abertura do Simpósio Regional sobre O Papel dos Parlamentos da CPLP e Escrutínio Financeiro, Comiche vincou a necessidade de se potenciar a acção legislativa na promoção da mobilização dos recursos internos, particularmente no que tange à política fiscal, sector da indústria extractiva e aos fluxos financeiros.
Trata-se, conforme disse, da reafirmação da Parceria de Busan para uma Cooperação Eficaz para o Desenvolvimento, adoptada a 1 de Dezembro de 2011, que visa, dentre vários aspectos, acelerar e aprofundar a implementação dos compromissos existentes para fortalecer o papel do Parlamento na supervisão dos processos de desenvolvimento através do apoio ao evoluir de capacidades com base em recursos adequados e planos de acção claros.
Organizado pela Assembleia da Assembleia em colaboração com a organização das Comissões das Contas Públicas da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADCOPAC), o simpósio que decorre em Maputo, visa fortalecer as capacidades dos participantes de forma que escrutinem, efectivamente, a execução orçamental e criem um fórum de troca de conhecimentos entre as delegações dos parlamentos participantes, de forma a fomentar o conhecimento e trocar experiências sobre desafios comuns e soluções particulares aos sistemas em uso no escrutínio das despesas públicas.
O presidente da CPO entende que este simpósio tem a característica especial de envolver representantes de outros parlamentos da CPLP não membros da SADCOPAC, nomeadamente de Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, no seguimento da acção de formação realizada em Novembro de 2012, em Maputo, que contou com a participação dos membros das Comissões das Contas Públicas de Angola e Moçambique e os respectivos secretariados.
Segundo Comiche, olhando para os compromissos saídos da Declaração de Paris, da Agenda de Acção de Acra, e da Parceria de Busan, em particular aqueles atinentes ao papel dos parlamentos na cooperação para o desenvolvimento, “lamentamos o contínuo subfinanciamento na capacitação dos parlamentos com vista a exercerem integralmente as suas funções básicas e a fiscalização orçamental”.
Compreender o ciclo orçamental, identificar as semelhanças e diferenças nos processos orçamentais que se realizam entre os diferentes sistemas a nível mundial, obter maior entendimento sobre as semelhanças e diferenças existentes no processo orçamental dos países da CPLP e explorar a evolução de uma contínua parceria de aprendizagem entre as Comissões das Contas Públicas da organização são os objectivos propostos pelo simpósio de Maputo, cujo encerramento está previsto para amanhã.

A SELEÇÃO NACIONAL DE ANGOLA FOI UMA VEZ AO MUNDIAL...



Ao todo, são 23 os países que se classificaram para o Mundial, mas não conseguiram voltar a participar da grande festa do futebol e apenas o Brasil esteve em todos os Mundiais.

Mas, desde 1930, outros 81 países qualificaram-se para o Mundial. Destes, 23 só chegaram ao torneio uma vez (entre eles a Bósnia, que estreia este ano).

Europa

Bósnia - É a estreante da vez. Vai disputar a sua primeira Copa este ano, no Brasil, depois de terminar em primeiro lugar no seu grupo nas eliminatórias europeias. Ucrânia - Esteve na Copa de 2006, na Alemanha. Após vencer a Suíça nos penaltis nos oitavos de final, perdeu por 3- 0 para a Itália, que se tornaria a campeã do torneio. País de Gales - Membro do Reino Unido, o país foi eliminado da Copa de 1958, na Suécia, ao perder para o Brasil nos quartos de final. Foi neste jogo que Pelé, então com 17 anos, fez seu primeiro golo internacional. Israel - Participante da Copa de 1970, no México, a selecção não passou da primeira fase, com um saldo de uma derrota e dois empates. Alemanha Oriental - Jogou a Copa de 1974, na então Alemanha Ocidental, e ganhou dos donos da casa por 1- 0. Caiu na segunda fase, após duas vitórias, dois empates e duas derrotas.
 Eslováquia - Na Copa de 2010, na África do Sul, passou da primeira fase com uma vitória, um empate e uma derrota. Mas caiu nos oitavos de final, ao perder para a Holanda, que seria vice-campeã. República Tcheca - Deu 3-0 nos EUA no primeiro jogo, mas perdeu para o Gana e a Itália e caiu na primeira fase da Copa de 2006, disputada na Alemanha. Sérvia - Em 2010, venceu a Alemanha, mas perdeu para o Gana e a Austrália e  despediu-se ao final da primeira fase. Sérvia e Montenegro - Três derrotas na primeira fase da Copa de 2006 selaram o destino da selecção, que até 1998 disputou a competição com o nome de Jugoslávia

A CRIMINALIDADE VIOLENTA NA CIDADE DE LUANDA...


O Presidente da República, José Eduardo dos Santos, teve ontem uma reunião de trabalho no Palácio Presidencial, com vista a analisar a criminalidade violenta na cidade de Luanda.

O Presidente da República deu orientações no sentido de se adoptarem medidas pertinentes visando garantir a segurança e integridade dos cidadãos e dos seus bens e a manutenção da ordem pública. Na reunião participaram o Vice-Presidente da República, os ministros de Estado da Casa Civil e da Casa de Segurança do Presidente da República, os ministros da Defesa e do Interior, o chefe dos Serviços de Inteligência, o chefe do Estado Maior General das FAA e o comandante-geral da Polícia Nacional.

IRLANDA DÁ 40 MILHÕES PARA OE DE MOÇAMBIQUE


 O Governo da Irlanda vai apoiar o Orçamento Geral do Estado moçambicano com 40 milhões de euros.
A notícia surge no âmbito da visita do Presidente de Moçambique, Armando Guebuza, à Irlanda, que teve início esta terça-feira, 3 de Junho.

O embaixador irlandês em Maputo, Ruairi Burca, comunicou a intenção das autoridades do seu país, que pretendem apoiar o Programa de Apoio Director ao Orçamento de Estado moçambicano com 40 milhões de euros.

Do montante total aplicado pelo país europeu, 85% destina-se às despesas do Estado em diversos sectores. A República da Irlanda pertence ao grupo G-19, composto pelos parceiros que dão apoio directo ao Orçamento Geral do Estado de Moçambique.

RENAMO ATACA NA PROVÍNCIA DE SOFALA...



 

Maputo – Um novo ataque na província de Sofala, realizado por homens armados da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) na manhã desta quarta-feira, 4 de Junho, causou três feridos perto da vila de Muxúnguè, Sofala, centro do país.
Continuam os conflitos na região centro de Moçambique entre as forças governamentais e o principal partido da oposição, contabilizando-se já um morto e 24 feridos em menos de uma semana.

A acção foi dirigida a uma viatura que fazia escolta a uma coluna militar do Exército, segundo confirmou o porta-voz da polícia local e alguns habitantes da vila.

Esta segunda-feira, 2 de Junho, a Renamo anunciou a suspensão do cessar-fogo que tinha instituído a 7 de Maio, devido à falta de consensos com as forças do Governo.