A VIDA parou literalmente, na quinta-feira, em Morutane, no distrito de Mocuba, na Zambézia, transformando a aldeia antes próspera e alegre numa verdadeira utopia, em resultado de confrontos militares entre as Forças de Defesa e Segurança (DFS) e os homens armados da Renamo que se registaram no local.
A nossa Reportagem que esteve ontem em Morutane, posto administrativo de Mugeba, 75 quilómetros de Mocuba, observou casas incendiadas, outras abandonadas com os celeiros a abarrotarem de cereais, animais dispersos e negócios suspensos, com a população em fuga, exigindo garantias de paz e segurança para poder regressar às suas residências.
As escolas estão encerradas, os professores e os alunos estão em parte incerta à procura de segurança, situação que poderá comprometer o cumprimento do calendário escolar.
Testemunhas ouvidas pela nossa Reportagem em Morutane afirmaram que o ataque foi aberto por homens armados da Renamo, quando “do nada” começaram a disparar contra as FDS, numa altura em que estas se encontravam a vasculhar a casa de um régulo que supostamente teria fornecido alojamento na sua residência, aos elementos da Renamo.
Momede Mário, 20 anos de idade, vendedor de carvão na zona contou à nossa Reportagem que no último domingo por volta das 08 horas uma viatura dupla cabine que não conseguiu identificar a matrícula, transportou dois homens para a casa do régulo Santos Campira. No dia seguinte, de acordo ainda com o jovem Momede Mário, chegou um camião transportando outros homens que também desceram no mesmo local, levando consigo sacos cheios do que aparentava ser ferro velho.
O nosso entrevistado afirmou que estranhamente os homens não utilizaram o caminho principal para se chegar à casa do régulo, usando, pelo contrário, a mata, transportando volumes enormes de material desconhecido.
Perante este ambiente de desconfiança, os residentes locais informaram às autoridades sobre a movimentação destas pessoas estranhas.
Laura Carlos, vendedora de carvão, corroborou a informação de Momade Mário, confirmando a estranha movimentação de homens armados suspeitos da Renamo.
Explicou que os sacos que presumem que tivessem material bélico foram descarregados numa ponte, a escassos metros do local por onde começaram os tiros.
“Nós comunicámos a presença dessas pessoas às autoridades porque ficámos apavoradas. Por causa do medo da ameaça da guerra, muitas pessoas dormiram no mato na terça e quarta-feira, temendo assaltos às suas casas ou ataques, que entretanto, vieram a acontecer na quinta-feira”, disse Laura Carlos, visivelmente triste, para depois afirmar que não pôde fugir nem para Ile, nem para Mocuba ou Mugeba-Sede porque está a proteger a sua mãe octogenária.
Fontes militares disseram à nossa Reportagem que, quando as FDS tomaram conhecimento da movimentação de homens armados na região, envi.aram uma força para investigar o régulo. Uma vez na casa deste, as FDS encontraram uma bandeira da Renamo e duas armas do tipo AKM.
Segundo os nossos entrevistados, para averiguar as circunstâncias da posse das armas, as Forças de Defesa e Segurança convidaram dois homens para os acompanharem ao Comando Distrital de Mocuba,designadamente Santos Campira e Sofrimento Manteiga.
Foi quando se preparavam para se retirar da casa, que os homens da Renamo abriram fogo contra as Forças de Defesa e Segurança e civis. O tiroteio que se seguiu, segundo os nossos entrevistados, demorou cerca de quatro horas, ou seja das seis às nove horas de quinta-feira.
Perante este cenário a população começou a sair em debandada à procura de locais de segurança.

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