terça-feira, 20 de maio de 2014
EXIGÊNCIAS INCOMPORTÁVES DA RENAMO...
CHEFE-substituto da delegação do Governo no diálogo com a Renamo, Gabriel Muthisse, disse ontem em Maputo que as exigências que o partido liderado por Afonso Dhlakama faz ao Estado são incomportáveis e diluem a sua própria existência.
Falando a jornalistas no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, no final de mais uma ronda de diálogo, o Ministro dos Transportes e Comunicações, Gabriel Muthisse, afirmou que a Renamo evoluiu da situação, já acordada, da presença de observadores militares estrangeiros para assessores às Forças Armadas de Defesa de Moçambique.
“Nós não estamos a chamar assessores, estamos a aceitar a vinda de observadores militares. Assessoria negoceia-se a outros níveis e de acordo com os termos de referência específicos. Esses indivíduos que nós aceitamos que viessem são meros observadores, não são consultores do Estado para efeitos de aperfeiçoamento das nossas Forças de Defesa e Segurança”, esclareceu.
Muthisse disse que a Renamo continua também a insistir, sem fundamentar, na reorganização das Forças de Defesa e Segurança. Sobre esta questão o chefe-substituto da delegação governamental afirmou que reorganizar as Forças de Defesa e Segurança significa mexer a sua orgânica.
O Governo está, sim, na disponibilidade de integrar os homens armados da Renamo nas Forças Armadas de Defesa de Moçambique e na Polícia da República de Moçambique, respeitando as posições que comprovadamente ocupam dentro daquele partido.
A Renamo insiste ainda naquilo que chama inclusão e equilíbrio das Forças de Defesa e Segurança. Segundo Gabriel Muthisse, o Governo é favorável a estes princípios, mas tanto as FADM como a PRM devem incluir todos os moçambicanos.
“O nosso conceito de inclusão e equilíbrio parece que não é o mesmo que o da Renamo. O nosso conceito de inclusão é inclusão da moçambicanidade. Isso é válido para a Polícia e para o Exército. O seu (Renamo) conceito de inclusão é uma inclusão com base partidária, ou seja, fazer nas Forças de Defesa e Segurança aquilo que fizemos na Comissão Nacional de Eleições. Estamos a dizer que o nosso Exército e a nossa Polícia não podem estar organizados de acordo com partidos políticos”, declarou, indicando que a formação política se recusa a elaborar o seu conceito de inclusão e de equilíbrio.
Gabriel Muthisse disse que a Renamo também insiste em querer comparar as Forças Armadas de Defesa de Moçambique com os seus homens armados, exigindo que elas se retirem das zonas onde se encontram estacionadas. Sobre este ponto clarificou que a cessação das hostilidades não significa que as Forças Armadas devem ser retiradas dos locais onde se encontram a cumprir a sua missão soberana.
A última questão colocada pela Renamo ontem na mesa do diálogo é atinente à entidade credível para a qual pretende fazer a entrega das armas em seu poder. Gabriel Muthisse disse que o Governo acha que as Forças de Defesa de Moçambique e o Estado moçambicano no geral são entidades credíveis.
“Esses são os factores que fazem com que o diálogo não progrida. A Renamo está a fazer exigências completamente incomportáveis e irresponsáveis”, disse.
Por seu turno, Saimone Macuiane, chefe da delegação da Renamo, disse que o seu partido já apresentou à mesa do diálogo os fundamentos sobre a retirada das forças militares nas zonas de conflito, no final das hostilidades, como forma de garantir a paz às pessoas.
Disse que a Renamo não pretende incorporar novos homens nas Forças Armadas de Defesa de Moçambique, mas sim defende a valorização dos que nelas já se encontram e que foram marginalizados.
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