Por Elias Samo Gudo, da AIM, em Mocuba
Mocuba (Moçambique), 18 Mai (AIM) O ministro de turismo, Carvalho Muária, convida o líder da Renamo a cessar todas as acções armadas em Moçambique, porque inviabilizam o desenvolvimento deste sector de actividade e do próprio país.
O turismo é, por conseguinte, uma indústria de paz, de coesão, de inclusão social e de unidade nacional e desenvolvimento. Queria aproveitar esta oportunidade para apelar à Renamo e ao seu líder, o senhor Afonso Dhlakama para pararem com as acções de desestabilização, os ataques a civis indefesos, pois, essas acções, minam o desenvolvimento do turismo e do país em geral, disse o ministro.
Queremos, pois, que o destino Moçambique continue a ser uma referência na região caracterizado pela prática de um turismo sustentado, e respeito pelas leis instituídas, livre de corrupção de actos de racismo e de todas as formas de discriminação, acrescentou o governante, que falava na noite de sexta-feira, durante a sessão de encerramento do XI Conselho Coordenador da instituição que dirige, um evento de três dias, que teve lugar na vila municipal de Mocuba, província central da Zambézia.
Aliás, foi precisamente no dia do início do Conselho Coordenador que um grupo de homens armados da Renamo voltou a atacar uma unidade das Forças de Defesa e Segurança (FDS), a cerca de 30 quilómetros da vila sede de Mocuba, provocando dois mortos e igual número de feridos. Os mortos e feridos são membros das FDS.
A indignação do ministro também poderá ser resultado da queda acentuada, quase 10 por cento, do número de turistas internacionais registado no ano passado que, em grande medida poderá ser atribuída a tensão político-militar que afecta a região centro de Moçambique, devido aos ataques perpetrados pela Renamo contra alvos civis e militares.
Depois do fim da guerra dos 16 anos, o número de turistas em Moçambique atingiu o seu pico em 2012 quando foram registadas 2.205.853 chegadas internacionais, dos quais 971.868, ou seja 44,1 por cento cidadãos da vizinha África do Sul.
Contudo, em 2013 este número registou uma queda significativa para se situar em 1.969.716 turistas internacionais, dos quais 872.017 sul-africanos, uma cifra que representa 44,3 por cento do volume global.
Estes números revelam uma redução de 99.852 turistas sul-africanos (que representam um peso considerável no sector do turismo em Moçambique) entre os anos de 2012 e 2013, uma variação negativa de quase 10 por cento.
O número global de turistas internacionais sofreu uma queda de 236.137, ou seja também uma variação negativa de quase 10 por cento.
Apesar desta queda, a chegada do número de turistas internacionais continua muito acima das projecções do Ministério do Turismo, que ambiciona chegar a 4,2 milhões de chegadas internacionais até ao ano de 2025.
Refira-se que para além da sua contribuição em receitas para a economia nacional, o turismo também desempenha um papel importante, empregando actualmente em todo o país mais de 45 mil trabalhadores, dos quais 45 por cento são do sexo feminino.
A importância do turismo na geração de emprego é bem patente na Africa do Sul, onde, segundo vários economistas, a chegada de um número adicional de nove turistas cria um posto de trabalho directo e dois indirectos.
Por isso, Muária fez questão de frisar no seu discurso que o turismo pelo potencial que possui de criar vários postos de trabalho directo constitui um instrumento fundamental para a erradicação da pobreza, promoção da inclusão social e do desenvolvimento do país.

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